Os Pais No Armário

Texto de Luiz Correa

 

Vivemos em uma sociedade onde todos precisamos nos encaixar em algum lugar, para sermos aceitos. Precisamos estar dentro das regras das comunidades que queremos estar para sermos parte dela, qualquer desvio ou conduta que não condiz com o lugar ou a comunidade em que estamos, somos logo visto como diferente e muitas vezes problemáticas.

Nossa primeira comunidade ao qual fazemos parte ao nascermos é a nossa família. Todos ficam apreensivos com a chegada daquele novo membro na família, muitas vezes esperam o nascimento para saber qual o sexo da criança, ou muitas vezes eles antecipam este anuncio para já começar programar antes mesmo do nascimento todas as rotas que aquele novo ser deve seguir.

Os pais começam a programar o futuro de seus filhos de acordo com o sexo, criam esperanças, expectativas, seus sonhos são todos direcionados para aquele novo membro da comunidade e claro que os pais esperam que tudo aquilo sejam cumprido a risca, sem desvios ou barreiras.

Como é bom poder ter uma família que nos direciona e nos guia em nosso inicio de vida na terra, eles são experientes e com certeza sabem o que estão fazendo e que estão fazendo o seu melhor para seus filhos e filhas.

Para os pais é uma alegria imensa ver seus filhos e filhas seguindo a risca todo o traçado de vida que eles sempre sonharam aos seus.  Os filhos e filhas devem estudar, ter uma boa profissão e não podem deixar de casar e  constituírem suas famílias. As filhas serem boas esposas e mãe e cuidar do lar da família. Os Filhos terem uma boa profissão, para terem um bom emprego para poder dar sustento a sua família. Tudo tão correto, com um enredo escrito a quatro mãos que não tem como dar errado.

E quando tudo isso sai do controle e quando tudo isso que foi sonhado para  os filhos e filhas não se concretiza, o que fazer? Como reagir a algo que não era esperado?

Quando aqueles que você preparou a seu modo para o mundo e a sociedade em que vive, simplesmente se diz diferente do que foi planejado. Quando um filho se diz  gay, lésbica ou simplesmente não se adéqua naquele padrão social em que está inserido?

O mundo desmorona sobre a cabeça dos pais, que não sabem como agir e reagir, porque não tinham um plano B, para a vida de seus filhos e filhas. Como eles podem viver na sociedade em questão, que irão julgá-los, por não serem bons pais, não serem pessoas capazes de criar os seus próprios filhos e filhas.

Quando seus filhos e filhas saem do armário, para os pais isso é algo muito difícil de ser administrado, pois para eles sexo existe somente dois e que eles não devem ser entre os mesmos, mas sim entre os opostos. E todos os sonhos e luta que eles tiveram para criar, educar e muitas vezes e os exemplos que eles tinham em casa, como tudo isso se perdeu.

São muitos sonhos  que estão em jogo. A pessoa que sai do armário ela quer correr atrás dos seus sonhos, ser quem ela é, se descobrir na sociedade em que viver o seu eu verdadeiro e não viver os sonhos dos outros.

É preciso ter paciência e saber que para os pais esta informação não é simplesmente virar um botão e tudo estará bem. Todos os sonhos e projetos de vida que eles planejaram, não irão se concretizar, eles se sentem inferiores aos outros, tem vergonha , medo do incerto e desconhecido. Precisamos ter paciência e amor por eles e compreender o momento de suas vidas, muitos pais não entendem logo no inicio, o que traz dor e sofrimento para ambos os lados, sim os pais também sofrem, pois seus filhos e filhas estão começando a trilhar um caminho que para eles é desconhecido, muitas vezes os sentimentos eles vem de muitas maneiras, dor, angustia, sofrimento, rejeição ao outro, vergonha, medo e muitos outros sentimentos.

Assim como para nós LGBT foi difícil sair do armário, precisamos entender nossos entes queridos, ajudá-los a entender que sim os sonhos deles foram por sua maior parte cumprido com sucesso, pois temos o caráter, a educação e porque não a família, claro que não como ele sonhou, mas si podemos ter a nossa família dos sonhos.

Não podemos deixar que os nossos entes queridos, ocupem o nosso lugar no armário, temos nós, como de conhecimento ajudá-los a entender este processo, precisamos ter paciência e saber que eles assim como nós tivemos o nosso tempo de nos aceitar, eles terão o tempo deles para entenderem que a vida, ela continua a mesma e de se aceitarem como parte das nossas vidas.

 

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